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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Não vi...

Eu tracei uma rota...

Eu passearia por todo o país
Me desfiz das mais belas paisagens
Pra chegar mais rápido em você

Cortei caminho, subi morros, percorri trilhas
Quando cheguei me dei conta
Que eu não tinha perguntado do seu dia
Cheguei e você no escritório
Papéis, canetas, anotações e telefones
Eu me lembrei só depois disso
Que não era feriado
Nem final de semana
Veja como a vida é
A gente faz planos
E a rotina desfaz todos eles

A mala nem foi desfeita
Mas também não voltei com ela
Deixei lá
No canto do hotel
Que venham outros mais felizes


Eu voltei
Não vi cor, nem paisagem
Não vi você e todo resto
Descobri que nem deveria ter saído daqui

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Texto para um amor que mora longe...

É estranho, muito estranho
Pra onde as coisas vão
Conheço os seus passos
Sei até onde vão chegar
Mas não sei dos meus
Sei que nossos passos juntos são melhores
Mas não sei quando
Nem como estarão lado a lado
Talvez um dia, talvez meio dia
Ainda que cinco minutos
Ou segundos
Meu caminho ficaria diferente
Seria diferente
Queria mesmo saber se as estradas nos encaminharão para o mesmo lugar
Mas toda música fala de mar
Por que?
Vai saber se no lugar de caminho tem um rio
Existem rios que nem se cruzam
Existem outros que não se misturam
Águas negras e claras
Se separam
Como óleo e água
Queria mesmo saber
Como eu queria
Sei que quando não te tenho não me faz falta o mar
Nem todas as outras coisas...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Apenas mais uma de amor...

Pela manhã, vindo para o serviço caminhando, após descer de um ônibus lotado, em uma esquina...Eu precisava atravessar a rua, os carros passavam, não podiam parar.

Lá estava ele chorando.

Calça jeans, camisa preta, um casaco azul marinho, cobrindo a cabeça.

Ela estava com com os braços cruzados e segurava pela cordinha uma sacola branca de papelão.

Sapato alto marrom, calça da mesma cor, camisa creme e um casaco preto.


Ele chorava compulsivamente e gesticulava.

Ela ouvia, pacientemente tudo, como quem sempre esperou ouvir aquilo.


Ele disse "Eu só quero minha vida de volta".

Ele implorava a volta dela.


E eu atravessei a rua, sem olhar para trás.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Três textos não terminados!

Comecei três textos e não consegui terminar...talvez não sejam mesmo para ser terminados...ou quem sabe consigo finalizar um dia.

Você pode também, se quiser...se conseguir, me apresente o seu final.

Uma vez fiz isso, com uma poesia do livro Dom Casmurro de Machado de Assis...qualquer dia posto aqui.

Aí estão:


O AMOR


O amor está tão banalizado nos últimos tempos...é “eu te amo” para cá, “eu te amo” pra lá, sem amar, sem esse sentimento ta sublime. O amor é algo que transcende, que ultrapassa limites e todos os sentimentos bons, talvez ele seja até a junção desses sentimentos, mas ele não é banal.
Óbvio que é preferido o “eu te amo” ao “eu te odeio”, causador de tantos atritos e tantas guerras, mas ainda assim pode-se falar de outros sentimentos bons, sem banalizar.
Podemos amar pessoas e situações.Amor às coisas existe, mas é um amor doentio visto que tudo que é material não foi feito para o amor.
O amor tem seu jeito, suas características próprias e depende muito de quem o sente. Pode chegar sorrateiramente e invadir de uma maneira espetacular. Pode chegar explodindo, causando euforia e aos poucos ir se abrandando até que a gente se acostume com ele (não estou falando de paixão...existem amores assim também). E existe o amor à primeira vista, eu acredito nele, mas acho que é tão difícil quanto ganhar numa loteria, acredito que só acontece quando se trata de almas gêmeas...



SAUDADE

Pensei em muita coisa para escrever, mas não sabia qual caberia melhor, ia falar sobre o amor, mas vou com calma aqui...vou falar de algo tão forte e intenso quanto: a saudade.

Saudade, palavra que só existe no idioma galego-português, ou seja, o nosso!
Expressa ausência, falta...
Sentimos saudades das coisas boas e até do que não vivemos e de pessoas que não conhecemos e isso eu acho incrível....como podemos sentir saudade só de imaginar o que poderíamos viver?



COSTUME, ROTINA

“Tanta gente morrendo por aí e eu querendo morrer e não morro”

Essa frase eu escutei hoje pela manhã no ônibus e logo em seguida veio uma voz de calmaria:

“Não fala isso, Deus dá forças para continuar, muitas vezes a gente pensa besteira, mas você é nova, vai vencer, dar conforto e bom estudo para os seus filhos...”

Quando olhei para o lado, vi duas jovens senhoras conversando, por volta dos seus 40 anos.
As palavras da segunda mulher foram mexendo comigo, mais uma vez, o poder das palavras...ela falava do fundo do coração, como se fosse um anjo em um momento difícil.
Não vou falar de Deus, de anjos ou das palavras, mas achei que seria interessante começar o que quero falar com esse diálogo. Quero falar hoje sobre as rotinas e os costumes.
Deixando de lado a questão dicionarística, ou seja, o real significado das duas palavras, para mim rotina é fazer repetidamente e costume é comportamento habitual, muitas vezes impensado.
A gente fala e faz coisas das quais nem se dá conta...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Um pouco sobre Deus...por mim.

Ju: Eu queria ir ver a orquestra na sexta, mas não vai dar, já vou ter ido para São Paulo.
Mãe: (já sabendo, só querendo confirmar) vai fazer o que em São Paulo?
Ju: Vou encontrar meus amigos.
Mãe: E quando você vai encontrar com Deus?
Ju: Deus não está só na igreja.

Esse diálogo aconteceu na terça-feira e até agora está remoendo aqui.
Não vou entrar no mérito de falar sobre a Igreja, quero falar sobre Deus.



Acredito em Deus!
Acredito que ele é amor e que está em tudo o que fazermos, vivemos e somos.
Deus está em mim, vive em mim.
Vive no outro também.
Quando amo o outro, quando me alegro com outras pessoas, amo a Deus, me alegro com Deus.
Eu me encontro com Deus todos os dias.

Encontro-me com Deus quando levanto....
Quando canto desafinadamente embaixo do chuveiro...
Quando lavo a louça que está na pia, para que o outro não precise fazer...
Quando pego o ônibus sem reclamar do quanto ele demorou ou está cheio. Quando saio mais cedo e pego o ônibus um ponto antes para sentar e seguro a bolsa de alguém ou cedo meu lugar...
Quando desço do ônibus e caminhando para o serviço dou bom dia para quem está na minha frente, quando falo com pessoas que não conheço, dou informações ou apenas sorrio....
Quando recebo um sorriso...
Quando ligo para meus amigos ou converso para saber como estão as coisas...
Quando me alegro com eles e quando escuto todas as mágoas ou tristezas...
Quando aconselho sem saber de onde as palavras vêem...
Quando durante o dia eu me entristeço, mas não abato...
Quando tiro boas notas para alegrar minha mãe...
Quando me convidam para sair e eu não vou, preferindo ficar com minha família...(quantas vezes!)
Quando saio e me divirto, sem beber, sem fumar, apenas pelo fato de estar com amigos, de sentir um pouquinho do que é liberdade....
Quando fico no sofá de casa, vendo tv, zapeando canais e pensando “quanta porcaria!”...
Quando me emociono com um comercial, com livros e filmes que contam histórias, verdadeiras ou não, mas que tocam e ensinam algo...
Quando deito na minha cama, de noite e O agradeço pelo meu dia, peço desculpas pelo que fiz de errado e peço saúde, paz e proteção para a minha família e não para mim...
Quando durmo com a consciência tranqüila e aguardo um novo dia...

Eu só queria saber se é tão difícil assim notar que Deus está em mim!